Nasci no Estado de São Paulo, em Iepê, mais precisamente na Água da Vala. Meu nome é José Cândido Ferreira, sou filho de Joaquim Cândido de Oliveira e Vita Maria Conceição de Oliveira, ambos já falecidos. Minha mãe, dona de casa e meu pai foi pedreiro, carpinteiro, roceiro e outros “eiros”. Sou o mais velho de cinco irmãos.

        Desde muito pequeno já começava a ajudar meu pai na roça, limpando tronco de pé de café, raleando e “panhando” algodão, arrancando amendoim, etc; fui doceiro, entelador de pão, fiz mesa de bilhar, fui bancário, auxiliar de escritório e hoje sou contador e compositor. A música se fez presente em minha vida desde que eu me conheço por gente. As primeiras músicas que eu me lembro de ter cantarolado foram de Palmeira e Luizinho, Serrinha e Caboclinho, Torres e Florêncio, mas de Tonico e Tinoco era de quem eu mais gostava. Comecei a rabiscar algumas composições ainda com 11 anos de idade quando eu já morava mesmo na cidade de Iepê, na Vila São Jorge. Nessa época ouvia as grandes duplas da rádio nacional de São Paulo à noite. Um dia cheguei até a escrever a um professor que fazia horóscopo(1964) perguntando a ele se quando crescesse eu fosse ser um artista. Depois nos mudamos para o Paraná, em Jaguapitã, onde passei meus sonhos de infância, adolescência e juventude. Nessa época curtia musicalmente de tudo, desde Tonico e Tinoco a Jovem Guarda e musica americana. No final de 1969 apareceu a dupla Léo Canhoto e Robertinho cantando temas jovem e a identificação foi imediata; cheguei até a formar uma dupla, cujo nome era Vonei e Vagner e só cantava músicas deles, dupla essa que não passou dos ensaios. Escrevi muitas letras em cima desse estilo e algumas duplas da região chegaram a cantar músicas minha.

        Tive uma composição publicada no livrinho do Licio e Lina em 1972/3; procurava mostrar minhas letras para o Peão Carreiro que fazia dupla com mulatinho, isso quando a rádio Auri Verde de Londrina funcionava numa das galerias do centro comercial de Londrina, ponto de encontro dos artistas da cidade.

        Meu sonho era ir para São Paulo tentar a carreira de compositor. Tinha na mente o seguinte: Vou para lá e procurar um emprego de faxineiro numa gravadora, tipo RCA Victor, Continental, Chantecler, etc. e, quando os cantores por lá aparecem eu mostraria minhas composições. Esse sonho foi abortado quando um cantor de certa fama me disse: - olha rapaz, não faça isso. Lá tem muita gente boa tentando chegar lá e não consegue. E ele certamente tinha razão, pois quanta gente começou a acontecer de 1972 para cá. Por fim o sonho de compositor ficou em estado latente por muito tempo até que nos anos 80, voltei a escrever e procurar os cantores para mostrar minhas composições; o primeiro com quem eu topei foi com o Jardel da dupla Juliano e Jardel; depois com Alcino Alves e Rossi, com quem gravei minha primeira música intitulada “Brasas acesas”, em parceria com eles. Bom, dessa época para cá não deixei mais de compor. Tenho várias músicas gravadas com Teodoro e Sampaio, Trio Parada Dura, Os Atuais, e outras tantas duplas e cantores solos e agora com AS GALVÃO. Tenho quatro CD´s solo e estou divulgando o 5º CD intitulado “Cândido – Compositor”. Tenho grandes parceiros de composição com os quais aprendi e aprendo a cada dia. Gosto de compor algo que faça bem às pessoas. Agradeço a Deus a todo instante pelo dom de compor e de cantar. Acredito que é uma missão cantar o bem. Meu nome artístico é Cândido, porque pertence ao meu nome próprio e é um nome que diz aquilo que quero ser na minha vida.

        Sou casado com uma pessoa maravilhosa que se chama Sandra Mara e que agüenta me ouvir cantar as composições por 10 vezes ou mais quando termino de fazê-las. Temos cinco filhos, sendo três mulheres e dois homens.

        Sou uma pessoa feliz não obstante a intempéries da vida. Aprendi com Chiara Lubic que só vale a pena viver por um ideal, cujo ideal valha a pena morrer por ele.

        UMA FRASE: “quer ser universal, cante sua aldeia” (Tolstoi).

        OUTRA FRASE: não corra atrás do prejuízo e sim atrás do lucro. He, he, he...

        Um conselho: corra atrás dos seus sonhos e tente realizá-los na primeira oportunidade, nunca desista, nem espere 40 anos por eles. Porém, em hipótese alguma, pise no pescoço de alguém para atingir seus objetivos, sem se esquecer que a sabedoria reside onde mora o equilíbrio.

        Outro conselho, aliás, não aconselho ninguém a ser excessivamente tímido – livre-se disso o quanto antes.



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